Escrita avulsa retirada da gaveta: diarística, textos esparsos, relíquias, memórias, antiguidades, velharias e outras inutilidades.

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Camões, além de poeta, era também um precursor da “ufologia” (muito antes de a Ufologia ter o nome que hoje tem).

Senão releia-se à luz da ufologia, no Canto I, o famoso Concílio dos Deuses: o que representa essa disputa celestial? Uma discórdia entre seres não mortais que, em um plano transcendente, controlam e vigiam o destino dos humanos! Os céus e a terra tremeram com o tumulto dos deuses: sujeitando os humanos ao seu tão relativo e condicionado livre arbítrio.

Todas as mitologias em todas as culturas se afinam pelo mesmo diapasão. Desde o Mahabharata hindu até à tragédia grega ou à epopeia da Antiguidade Clássica, desaguando na Bíblia ou no Livro de Urântia:  uma velha Guerra das Estrelas, com as sempiternas lutas entre os deuses, a eterna batalha entre deuses e demónios, entre o Bem e o Mal, e por fim a Revolta dos humanos contra os deuses - dos escravos reivindicando a sua libertação. O famoso “Concílio dos Deuses”, reunidos nessa ONU celestial de Os Lusíadas, não foge è regra: Camões faz os deuses pagãos decidirem do destino a conceder à viagem de Vasco da Gama e à glória de Portugal… Ou seja: Camões, além de poeta, revela-se avant la lettre um perito em “ufoarqueologia” – porque muito antes de von Daniken e de Sitchin, e ainda sem deuses astronautas, que seriam anacrónicos para a época, tudo ele intuiu sobre os Keepers, os guardiães desentendidos deste planeta, os seus zeladores, vigias, governantes, jardineiros, curadores, aos quais na época obrigatoriamente chamou deuses, e não ETs, porque essa era a tradição renascentista.

E aqui se joga o infindável dilema filosófico entre Destino e Liberdade, entre fatalismo e livre-arbítrio, entre determinismo e estrutura rizomática da realidade.

Em suma: só hoje, nos meus sixties, entendi a grandeza cósmica da épica camoniana, depois de a ter odiado na adolescência quando dividia as orações e estudava sintaxe nas suas estâncias. Quatro séculos mais tarde vem o supra-Camões, o poeta-avatar de nome Pessoa, que tudo corrobora no célebre verso: «O mito é o nada que é tudo».

 

29-01-2017

© Pedro Barbosa

publicado por Pedro Barbosa às 22:32

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