Escrita avulsa retirada da gaveta: diarística, textos esparsos, relíquias, memórias, antiguidades, velharias e outras inutilidades.

29
Jan 17

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Camões, além de poeta, era também um precursor da “ufologia” (muito antes de a Ufologia ter o nome que hoje tem).

Senão releia-se à luz da ufologia, no Canto I, o famoso Concílio dos Deuses: o que representa essa disputa celestial? Uma discórdia entre seres não mortais que, em um plano transcendente, controlam e vigiam o destino dos humanos! Os céus e a terra tremeram com o tumulto dos deuses: sujeitando os humanos ao seu tão relativo e condicionado livre arbítrio.

Todas as mitologias em todas as culturas se afinam pelo mesmo diapasão. Desde o Mahabharata hindu até à tragédia grega ou à epopeia da Antiguidade Clássica, desaguando na Bíblia ou no Livro de Urântia:  uma velha Guerra das Estrelas, com as sempiternas lutas entre os deuses, a eterna batalha entre deuses e demónios, entre o Bem e o Mal, e por fim a Revolta dos humanos contra os deuses - dos escravos reivindicando a sua libertação. O famoso “Concílio dos Deuses”, reunidos nessa ONU celestial de Os Lusíadas, não foge è regra: Camões faz os deuses pagãos decidirem do destino a conceder à viagem de Vasco da Gama e à glória de Portugal… Ou seja: Camões, além de poeta, revela-se avant la lettre um perito em “ufoarqueologia” – porque muito antes de von Daniken e de Sitchin, e ainda sem deuses astronautas, que seriam anacrónicos para a época, tudo ele intuiu sobre os Keepers, os guardiães desentendidos deste planeta, os seus zeladores, vigias, governantes, jardineiros, curadores, aos quais na época obrigatoriamente chamou deuses, e não ETs, porque essa era a tradição renascentista.

E aqui se joga o infindável dilema filosófico entre Destino e Liberdade, entre fatalismo e livre-arbítrio, entre determinismo e estrutura rizomática da realidade.

Em suma: só hoje, nos meus sixties, entendi a grandeza cósmica da épica camoniana, depois de a ter odiado na adolescência quando dividia as orações e estudava sintaxe nas suas estâncias. Quatro séculos mais tarde vem o supra-Camões, o poeta-avatar de nome Pessoa, que tudo corrobora no célebre verso: «O mito é o nada que é tudo».

 

29-01-2017

© Pedro Barbosa

publicado por Pedro Barbosa às 22:32

08
Set 15

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Muitas são as tradições ocultistas que diabolizam ou cultuam o famoso 666: o chamado "número da Besta"! Mas, do ponto de vista científico, o 666 pode também ser visto como a estrutura do átomo de Carbono: 6 protões, 6 neutrões, 6 electrões! E não é o carbono a base da vida biológica na Terra? Então penso, divago, divirjo. Porque, de acordo com o enigmático «Livro de Urântia» (Livro da Terra), nós habitamos o Universo de Nebadon (um dos 7 Grandes Universos), e precisamente num recanto da Via Láctea que é tido como a zona satânica - ou melhor, a zona dissidente de influência luciferiana (de Lúcifer, o anjo rebelde portador da Lux). Não quero com isto ressuscitar o velho maniqueísmo da guerra cósmica entre Michael e Lúcifer. Nesta ambígua dicotomia, confusa e poluída, nunca saberíamos quem é quem, nem de que lado estamos. Apenas reflicto nesta curiosa coincidência. O 666 é também o símbolo que configura o átomo de carbono, no qual se baseia a vida neste canto do Universo. Acresce que algumas mensagens crípticas nos agroglifos insinuam recentemente a existência de vida alienígena baseada no átomo de silício. Será assim? Se este planeta onde tentamos sobreviver sobre a tripla estrutura hexagonal do carbono é também um "planeta satânico", isso não sei. Mas que um ignoto espírito maligno o parece animar, montando nele o palco de uma negra tragicomédia, isso sim: basta aqui estar e ver! Não sei é quem ri ou quem chora sobre tudo isto! Planeta satânico? Planeta baseado no átomo de carbono? Sei lá! Todavia sei algo dessa vasta Guerra Sideral que nos assola há milénios a partir dos planos subtis: batalha multissecular que hoje atinge o paroxismo. E por isso, nesta era da informática baseada no silício, penso, divago, medito, divirjo. Carbono versus Silício? A velha luta entre Deus e o Diabo? A velha Guerra dos Deuses embalada em versão de estrutura atómica do Universo? Risível? Não, porque não rio. Penso, só isso. Que mal há em pensar!?

08-9-2015

© Pedro Barbosa

publicado por Pedro Barbosa às 20:23

11
Jul 15

Improviso teatral a solo. Com leitura de textos assinados pelo autor. Discussão aberta ao público. 

Estreia amanhã, fora de horas, em local a anunciar. 

Repito: "No tempo em que Mozart era baterista".

Estreia amanhã, sim, fora de horas. 

Entrada livre. A saída também.

 

 

31-6-2015

© Pedro Barbosa

publicado por Pedro Barbosa às 04:53

24
Jun 15

 Quando li a notícia necrológica no jornal, disse para comigo: «Dio mio, a quanto obrigas tu, ó vida social! Nunca tive de acordar tão cedo para ir ao meu próprio funeral… Enfim, nada a fazer. Lá tive de estar em ofício de corpo presente. Ninguém para me substituir.»

24-6-2015

© Pedro Barbosa

publicado por Pedro Barbosa às 19:32

22
Jun 15

O que tanto nos seduz na magia do espelho? É que ele nos devolve a imagem de um real irreal. Penteias-te diante dele, mas sabes que a imagem que vês é uma simetria inexistente. Contudo, tomas essa ilusão dos teus sentidos como verdadeira. Mais: guias-te por ela, mexes-te diante dela, compões a tua máscara, acertas a posição, entras na farsa deste mundo.

A tua ilusão torna-se a bússola do que julgas ser real.

Espelho mágico: é essa frágil ilusão palpável (tacteável, afagável, embaciável, quebrável, estilhaçável) da nossa imagem do real. Da nossa imagem “no” real. Menos distraidamente, porém, o espelho torna-se a experiência diária do irreal. O lado visível do invisível? O matemático Lewis Carroll sabia-o bem quando inventou Alice e a colocou do outro lado do espelho. Do outro lado do real? Ou do outro lado do irreal? A caverna de Platão mostrava-nos as sombras da realidade. O espelho mostra-nos as formas da realidade na luz. Plano, côncavo, convexo ou assim-assim: de muitos modos a realidade pode ser distorcida. E o mundo é essa grande sala de espelhos. Uma sala que enlouquece o nosso ego de tantas irrealidades autenticadas pelo ilusionismo da luz.

E aí, perdido nesse labirinto de falsas realidades paralelas, o nosso “ego” fragmenta-se, quebra em estilhaços. Assim é o nosso “eu”: moldura de um espelho quebrado em pedaços. “Uno, nessuno, centomila”: um, cem mil, e… ninguém.

22-6-2015

© Pedro Barbosa

publicado por Pedro Barbosa às 05:15

05
Mai 15

Porque será que um nome tão comum como Barbosa não consta de nenhum dicionário onomástico? Porque não há raiz etimológica para ele? Consultei vários dicionários, e nada. Eis uma sugestão. Uma pequena história vivida por mim há muitos anos talvez abra uma pista a algum filólogo interessado em pesquisar a origem deste nome. Foi num pequeno hotel de uma localidade fronteiriça no Sul da Alemanha, creio que Offenburg, onde o erro de um recepcionista ensonado me revelou uma possibilidade a explorar: quando lhe balbuciei o meu nome, Pedro Barbosa, ele escreveu BARBARROSSA! Ora “barba rossa”, em italiano, é “barba ruiva”: existirá essa palavra em alemão? Desconheço. Seria uma corruptela de um recepcionista de hotel de fronteira habituado a receber italianos? Para mim, a corruptela deste alemão, com a cabeça bem acima de uma volumosa barriga de cerveja, acabava de me revelar sem querer a origem do meu próprio sobrenome que nenhum dicionário de antropónimos registava. Ou que até hoje ainda não encontrei, excepto a coscuvilhice vaga de um barbeiro gay em Lisboa, contada por Leite de Vasconcelos, que nada explica... Que hoje tenho barba branca, o espelho mo diz todos os dias: serei então descendente do famoso pirata "Barba Ruiva"!? Kkkkk ;) 

publicado por Pedro Barbosa às 22:28

28
Out 14

 

É mais difícil perguntar do que responder.
No processo do conhecimento é mais importante saber formular perguntas do que dar respostas.
As perguntas inventam-se, as respostas encontram-se.
(Conselho para estudantes, jornalistas e investigadores - nota encontrada no meu diário, há muito tempo atrás, e ignoro o porquê... PB)

publicado por Pedro Barbosa às 00:55

10
Out 14

 

A criança pergunta: «Mamã, antes de eu nascer onde é que EU estava?» O adulto interroga-se: «Para onde EU irei depois de morrer?» A pergunta é a mesma entre dois limites: o antes e o depois. A irresistível recusa do nada. Até o mais céptico faz a si mesmo essa pergunta. E Rimbaud repete, canta, recita, vocifera ainda: “JE est un autre”! A consciência do “EU” parece estar acima do “eu”. Assim, nascer e morrer são o mesmo processo, mas de sentido inverso. Morrer é des-nascer, tanto quanto nascer é des-morrer: depende do lado por onde se observa a passagem. Nascimento e morte são dois portais de sentido inverso: entre este plano e o outro plano, aquele que aqui desconhecemos porque desmemoriados aqui chegamos. Aquele plano que o nosso corpo ignora, mas que a nossa consciência parece guardar no mais recôndito da memória onde a luz se desvanece .

Nascimento e morte: duas portas estreitas.

Mas nesta MATRIZ em que o ser humano vive agrilhoado, o medo da morte é o instrumento cultural mais poderoso para que o corpo lance raízes e se afunde no mais denso dos mundos. O medo da morte é o chicote da domesticação humana. Todas as religiões sabem isso há milénios: o materialismo inclusive. Superar o medo da morte é o caminho da libertação. Porque se festeja o nascimento e se chora a morte? Nascimento e morte são os inversos desta mesma fita de Moebius a que chamamos vida: infinitamente dobrada sobre si mesma, como retorcido é este louco mundo em que peregrinamos na dualidade – mas julgando pisar sempre a mesma face (Escher, na gravura, sabia disso). Se todo o nascimento começa pelo choro da criança, que gargalhada soltará o morto do outro lado do percurso? Ouçamos então o riso dos mortos.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

© Pedro Barbosa (gravura de Escher-fita de Moebius)

 

publicado por Pedro Barbosa às 20:30

Escrever neste bloco-notas de noite, sem luz, sem papel, sem ideias e sem óculos: pergunto, como vejo tão bem com a vista tão cansada?

publicado por Pedro Barbosa às 07:44

29
Ago 14

Hoje, reflectindo neste diário póstumo sobre uma escrita não escrita, releio-me. E vejo que outrora dizia de modo encomiástico (mas tremendamente caricatural) que "a escrita era uma forma de vencer na nossa consciência reflexiva o incómodo de existir". Ah, ah, ah! Que quer isto dizer? Ainda hoje não sei, sei só que eram palavras tão profundas que não lhes vislumbro a sombra do fundo. Enfim, algo próprio de um adolescente crente nos impotentes poderes da "escrita", da "arte", da "política", ou de todas as outras coisas transformadoras de coisa nenhuma. Fosse essa coisa nenhuma "o absurdo de uma existência que nos resiste" (sic) - outra frase pró-fundo. Mais: se a literatura tem sentido é porque "fingimos inventar-lhe  um sentido". Qual sentido? Inúteis filosofias. Inúteis hermenêuticas. Espuma de palavras. Pois hoje só me apetecia ir mais longe do que foi Pessoa (como se isso fosse possível), deturpando o seu estafadíssimo verso: «O escritor é um fingidor, que finge tão fingidamente, que finge verdadeiramente a dor que deveras NÃO sente». E não se tente discutir o não-sentido disto tudo. Porque a Literatura tem uma só função prática indiscutível: dar emprego a professores de Português que não gostam de literatura. Tudo o mais é uma questão de códigos de barras nos supermercados da literatura actual... O marketing editorial bem o sabe. Um bluff de quem mercadeja sabonetes com letras ou detergentes de ideias. E mais não digo. Porque também não disse nada. Viva a Literatura!

 

© Pedro Barbosa

publicado por Pedro Barbosa às 23:40

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