Escrita avulsa retirada da gaveta: diarística, textos esparsos, relíquias, memórias, antiguidades, velharias e outras inutilidades.

20
Set 17

É nos filmes porno americanos que as mulheres melhor exprimem o seu misticismo. Só se ouve, entre gemidos: «Oh, my God! Oh, my God!» Será que encontram mesmo Deus? Naquele transe erótico a imaginação, contudo, não vai longe, e às vezes variam de mantra: «Oh, Yes, yess, yesss, yeeesssssss!» Parece que aí elas sobem aos céus e encontram alguma divindade no paraíso. Tenho inveja metafísica da sensibilidade feminina.

Os homens, nessa mesma cinematografia porno, são sempre mais laicos, mais ateus.

 

20-09-2017

© Pedro Barbosa

publicado por Pedro Barbosa às 18:53

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Interrogo-me. Será a Internet, a grande nuvem planetária, essa “cloud” electrónica, uma simulação prévia por meios tecnológicos do Arquivo Akáshico (etérico) dos esotéricos? Uma e outro acumulam o saber terreno e cósmico como uma fonte inesgotável. Procura, pesquisa, interroga – e obterás a resposta. Num estágio de evolução superior essa comunicação será mental, anímica; no estágio de desenvolvimento ainda físico em que a humanidade se encontra essa fonte de saber tem que ter uma consistência ainda electromagnética para poder ser acessada por meios tecno-materiais. Somos seres físicos, ainda. E a Internet é hoje a materialização da Noosfera humana (teillardiana) – todo o conhecimento humano, tanto as suas verdades quanto os seus erros lá estão, disponíveis. Será uma mera aprendizagem que é feita pela humanidade neste momento de transição entre o plano físico e o mundo astral?

 

20-09-2017

© Pedro Barbosa

 

publicado por Pedro Barbosa às 18:17

29
Jan 17

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Camões, além de poeta, era também um precursor da “ufologia” (muito antes de a Ufologia ter o nome que hoje tem).

Senão releia-se à luz da ufologia, no Canto I, o famoso Concílio dos Deuses: o que representa essa disputa celestial? Uma discórdia entre seres não mortais que, em um plano transcendente, controlam e vigiam o destino dos humanos! Os céus e a terra tremeram com o tumulto dos deuses: sujeitando os humanos ao seu tão relativo e condicionado livre arbítrio.

Todas as mitologias em todas as culturas se afinam pelo mesmo diapasão. Desde o Mahabharata hindu até à tragédia grega ou à epopeia da Antiguidade Clássica, desaguando na Bíblia ou no Livro de Urântia:  uma velha Guerra das Estrelas, com as sempiternas lutas entre os deuses, a eterna batalha entre deuses e demónios, entre o Bem e o Mal, e por fim a Revolta dos humanos contra os deuses - dos escravos reivindicando a sua libertação. O famoso “Concílio dos Deuses”, reunidos nessa ONU celestial de Os Lusíadas, não foge è regra: Camões faz os deuses pagãos decidirem do destino a conceder à viagem de Vasco da Gama e à glória de Portugal… Ou seja: Camões, além de poeta, revela-se avant la lettre um perito em “ufoarqueologia” – porque muito antes de von Daniken e de Sitchin, e ainda sem deuses astronautas, que seriam anacrónicos para a época, tudo ele intuiu sobre os Keepers, os guardiães desentendidos deste planeta, os seus zeladores, vigias, governantes, jardineiros, curadores, aos quais na época obrigatoriamente chamou deuses, e não ETs, porque essa era a tradição renascentista.

E aqui se joga o infindável dilema filosófico entre Destino e Liberdade, entre fatalismo e livre-arbítrio, entre determinismo e estrutura rizomática da realidade.

Em suma: só hoje, nos meus sixties, entendi a grandeza cósmica da épica camoniana, depois de a ter odiado na adolescência quando dividia as orações e estudava sintaxe nas suas estâncias. Quatro séculos mais tarde vem o supra-Camões, o poeta-avatar de nome Pessoa, que tudo corrobora no célebre verso: «O mito é o nada que é tudo».

 

29-01-2017

© Pedro Barbosa

publicado por Pedro Barbosa às 22:32

08
Set 15

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Muitas são as tradições ocultistas que diabolizam ou cultuam o famoso 666: o chamado "número da Besta"! Mas, do ponto de vista científico, o 666 pode também ser visto como a estrutura do átomo de Carbono: 6 protões, 6 neutrões, 6 electrões! E não é o carbono a base da vida biológica na Terra? Então penso, divago, divirjo. Porque, de acordo com o enigmático «Livro de Urântia» (Livro da Terra), nós habitamos o Universo de Nebadon (um dos 7 Grandes Universos), e precisamente num recanto da Via Láctea que é tido como a zona satânica - ou melhor, a zona dissidente de influência luciferiana (de Lúcifer, o anjo rebelde portador da Lux). Não quero com isto ressuscitar o velho maniqueísmo da guerra cósmica entre Michael e Lúcifer. Nesta ambígua dicotomia, confusa e poluída, nunca saberíamos quem é quem, nem de que lado estamos. Apenas reflicto nesta curiosa coincidência. O 666 é também o símbolo que configura o átomo de carbono, no qual se baseia a vida neste canto do Universo. Acresce que algumas mensagens crípticas nos agroglifos insinuam recentemente a existência de vida alienígena baseada no átomo de silício. Será assim? Se este planeta onde tentamos sobreviver sobre a tripla estrutura hexagonal do carbono é também um "planeta satânico", isso não sei. Mas que um ignoto espírito maligno o parece animar, montando nele o palco de uma negra tragicomédia, isso sim: basta aqui estar e ver! Não sei é quem ri ou quem chora sobre tudo isto! Planeta satânico? Planeta baseado no átomo de carbono? Sei lá! Todavia sei algo dessa vasta Guerra Sideral que nos assola há milénios a partir dos planos subtis: batalha multissecular que hoje atinge o paroxismo. E por isso, nesta era da informática baseada no silício, penso, divago, medito, divirjo. Carbono versus Silício? A velha luta entre Deus e o Diabo? A velha Guerra dos Deuses embalada em versão de estrutura atómica do Universo? Risível? Não, porque não rio. Penso, só isso. Que mal há em pensar!?

08-9-2015

© Pedro Barbosa

publicado por Pedro Barbosa às 20:23

11
Jul 15

Improviso teatral a solo. Com leitura de textos assinados pelo autor. Discussão aberta ao público. 

Estreia amanhã, fora de horas, em local a anunciar. 

Repito: "No tempo em que Mozart era baterista".

Estreia amanhã, sim, fora de horas. 

Entrada livre. A saída também.

 

 

31-6-2015

© Pedro Barbosa

publicado por Pedro Barbosa às 04:53

24
Jun 15

 Quando li a notícia necrológica no jornal, disse para comigo: «Dio mio, a quanto obrigas tu, ó vida social! Nunca tive de acordar tão cedo para ir ao meu próprio funeral… Enfim, nada a fazer. Lá tive de estar em ofício de corpo presente. Ninguém para me substituir.»

24-6-2015

© Pedro Barbosa

publicado por Pedro Barbosa às 19:32

22
Jun 15

O que tanto nos seduz na magia do espelho? É que ele nos devolve a imagem de um real irreal. Penteias-te diante dele, mas sabes que a imagem que vês é uma simetria inexistente. Contudo, tomas essa ilusão dos teus sentidos como verdadeira. Mais: guias-te por ela, mexes-te diante dela, compões a tua máscara, acertas a posição, entras na farsa deste mundo.

A tua ilusão torna-se a bússola do que julgas ser real.

Espelho mágico: é essa frágil ilusão palpável (tacteável, afagável, embaciável, quebrável, estilhaçável) da nossa imagem do real. Da nossa imagem “no” real. Menos distraidamente, porém, o espelho torna-se a experiência diária do irreal. O lado visível do invisível? O matemático Lewis Carroll sabia-o bem quando inventou Alice e a colocou do outro lado do espelho. Do outro lado do real? Ou do outro lado do irreal? A caverna de Platão mostrava-nos as sombras da realidade. O espelho mostra-nos as formas da realidade na luz. Plano, côncavo, convexo ou assim-assim: de muitos modos a realidade pode ser distorcida. E o mundo é essa grande sala de espelhos. Uma sala que enlouquece o nosso ego de tantas irrealidades autenticadas pelo ilusionismo da luz.

E aí, perdido nesse labirinto de falsas realidades paralelas, o nosso “ego” fragmenta-se, quebra em estilhaços. Assim é o nosso “eu”: moldura de um espelho quebrado em pedaços. “Uno, nessuno, centomila”: um, cem mil, e… ninguém.

22-6-2015

© Pedro Barbosa

publicado por Pedro Barbosa às 05:15

05
Mai 15

Porque será que um nome tão comum como Barbosa não consta de nenhum dicionário onomástico? Porque não há raiz etimológica para ele? Consultei vários dicionários, e nada. Eis uma sugestão. Uma pequena história vivida por mim há muitos anos talvez abra uma pista a algum filólogo interessado em pesquisar a origem deste nome. Foi num pequeno hotel de uma localidade fronteiriça no Sul da Alemanha, creio que Offenburg, onde o erro de um recepcionista ensonado me revelou uma possibilidade a explorar: quando lhe balbuciei o meu nome, Pedro Barbosa, ele escreveu BARBARROSSA! Ora “barba rossa”, em italiano, é “barba ruiva”: existirá essa palavra em alemão? Desconheço. Seria uma corruptela de um recepcionista de hotel de fronteira habituado a receber italianos? Para mim, a corruptela deste alemão, com a cabeça bem acima de uma volumosa barriga de cerveja, acabava de me revelar sem querer a origem do meu próprio sobrenome que nenhum dicionário de antropónimos registava. Ou que até hoje ainda não encontrei, excepto a coscuvilhice vaga de um barbeiro gay em Lisboa, contada por Leite de Vasconcelos, que nada explica... Que hoje tenho barba branca, o espelho mo diz todos os dias: serei então descendente do famoso pirata "Barba Ruiva"!? Kkkkk ;) 

publicado por Pedro Barbosa às 22:28

28
Out 14

 

É mais difícil perguntar do que responder.
No processo do conhecimento é mais importante saber formular perguntas do que dar respostas.
As perguntas inventam-se, as respostas encontram-se.
(Conselho para estudantes, jornalistas e investigadores - nota encontrada no meu diário, há muito tempo atrás, e ignoro o porquê... PB)

publicado por Pedro Barbosa às 00:55

10
Out 14

 

A criança pergunta: «Mamã, antes de eu nascer onde é que EU estava?» O adulto interroga-se: «Para onde EU irei depois de morrer?» A pergunta é a mesma entre dois limites: o antes e o depois. A irresistível recusa do nada. Até o mais céptico faz a si mesmo essa pergunta. E Rimbaud repete, canta, recita, vocifera ainda: “JE est un autre”! A consciência do “EU” parece estar acima do “eu”. Assim, nascer e morrer são o mesmo processo, mas de sentido inverso. Morrer é des-nascer, tanto quanto nascer é des-morrer: depende do lado por onde se observa a passagem. Nascimento e morte são dois portais de sentido inverso: entre este plano e o outro plano, aquele que aqui desconhecemos porque desmemoriados aqui chegamos. Aquele plano que o nosso corpo ignora, mas que a nossa consciência parece guardar no mais recôndito da memória onde a luz se desvanece .

Nascimento e morte: duas portas estreitas.

Mas nesta MATRIZ em que o ser humano vive agrilhoado, o medo da morte é o instrumento cultural mais poderoso para que o corpo lance raízes e se afunde no mais denso dos mundos. O medo da morte é o chicote da domesticação humana. Todas as religiões sabem isso há milénios: o materialismo inclusive. Superar o medo da morte é o caminho da libertação. Porque se festeja o nascimento e se chora a morte? Nascimento e morte são os inversos desta mesma fita de Moebius a que chamamos vida: infinitamente dobrada sobre si mesma, como retorcido é este louco mundo em que peregrinamos na dualidade – mas julgando pisar sempre a mesma face (Escher, na gravura, sabia disso). Se todo o nascimento começa pelo choro da criança, que gargalhada soltará o morto do outro lado do percurso? Ouçamos então o riso dos mortos.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

© Pedro Barbosa (gravura de Escher-fita de Moebius)

 

publicado por Pedro Barbosa às 20:30

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